Refrigerante diet. Bebidas energéticas com zero calorias. Aquele iogurte “sem açúcar” que você compra no supermercado.
Eles parecem a escolha inteligente. Menos calorias. Nenhum pico de açúcar no sangue. Mas um novo estudo sugere que pode haver uma taxa oculta sobre o seu cérebro.
Uma pesquisa publicada na Neurology em setembro de 2025 encontrou uma ligação preocupante entre o consumo de adoçantes artificiais e o declínio cognitivo acelerado. Especificamente, afeta as habilidades de memória e pensamento. E o risco não é distribuído uniformemente. Atinge mais fortemente os adultos com menos de 60 anos e aqueles com diabetes.
Quais adoçantes artificiais estão associados ao envelhecimento cerebral?
O estudo analisou sete substitutos comuns: eritritol, aspartame, sacarina, acessulfame-K, sorbitxitol, xilitol e tagatose.
Os pesquisadores acompanharam 12.772 adultos ao longo de oito anos. A idade média era de 52 anos. Os participantes relataram suas dietas, listando tudo, desde água aromatizada até sobremesas de baixas calorias.
Os resultados foram nítidos.
As pessoas que consumiram as maiores quantidades destes substitutos do açúcar viram as suas capacidades cognitivas diminuir 62% mais rapidamente do que aquelas que consumiram menos. Essa lacuna se traduz em aproximadamente 1,5 anos de envelhecimento cerebral adicional.
O grupo intermediário não se saiu muito melhor. Eles experimentaram um declínio 35% mais rápido, equivalente a cerca de 1 ano e 3 meses de envelhecimento acelerado.
Por que a ligação é tão forte para os adultos mais jovens?
“Nossas descobertas sugerem que a meia-idade pode ser uma janela importante durante a qual a exposição alimentar a longo prazo pode influenciar o envelhecimento do cérebro.” — Claudia Suemoto, Universidade de São Paulo
A ligação foi mais fraca em pessoas com mais de 60 anos. Entre aqueles com menos de 60 anos, os declínios na fluência verbal e na cognição geral foram significativamente mais acentuados.
Por que os adoçantes artificiais podem prejudicar a cognição?
A causalidade não foi comprovada. O estudo foi observacional. Mas os pesquisadores têm teorias.
Claudia Suemoto, autora principal do estudo, aponta neuroinflamação. Alguns adoçantes artificiais podem desencadear respostas inflamatórias no cérebro. Este é um processo precoce conhecido na doença de Alzheimer e no comprometimento cognitivo vascular.
Outra teoria envolve o intestino. A interrupção da microbiota intestinal pode afetar a saúde do cérebro através do eixo intestino-cérebro. Pode até comprometer a integridade da barreira hematoencefálica.
Nem todos concordam com o mecanismo. Clifford Segil, neurologista de Santa Monica, duvida que a neuroinflamação seja a principal causa. Ele argumenta que tudo se resume à energia.
O cérebro funciona com glicose. Quando você o alimenta com um substituto, a resposta metabólica muda.
“Um açúcar substituto que não seja o açúcar natural do cérebro pode afetar o cérebro”, diz Segil. “A energia disfarçada de substituto do açúcar não funciona no cérebro da mesma forma que o açúcar real.”
Quão confiável é este estudo?
Tome isso com cautela. Ou talvez um pacote de Stevia.
Os dados basearam-se em informações dietéticas auto-relatadas, recolhidas apenas uma vez, há oito anos. As pessoas esquecem o que comeram. As formulações dos produtos mudam. A Associação Internacional de Adoçantes criticou o estudo por esta coleta de dados em um único momento. Eles argumentam que isso introduz preconceito.
Eles também observam que nem todos os adoçantes agiram da mesma forma. Tagatose não mostrou nenhuma ligação com o declínio cognitivo nesta coorte. Se isso significa que é mais seguro ou simplesmente menos consumido pelos participantes, ainda não está claro.
As autoridades de saúde globais ainda afirmam que os adoçantes de baixas calorias são seguros.
Você deveria parar de beber refrigerante diet?
Pânico não é a resposta. Moderação é.
Keri Gans, nutricionista de Nova York, considera isso um momento de equilíbrio. Um refrigerante diet por dia? Não perca o sono. Mas consumir barras de proteína cheias de álcoois de açúcar enquanto toma medicação com GLP-1? É aí que a ingestão cumulativa se torna perigosa.
Muitas pessoas nem percebem que estão consumindo esses adoçantes. Eles se escondem sob o rótulo de “álcoois de açúcar” em lanches e suplementos.
Para os diabéticos, o dilema é mais difícil. Os médicos geralmente recomendam esses substitutos para controlar o açúcar no sangue. Gans aconselha escolhas individualizadas. Reduza a doçura geral quando possível. Não troque açúcar por adoçante em quantidades ilimitadas.
O resultado final? Mais pesquisas são necessárias. Precisamos saber se alternativas como molho de maçã, mel ou açúcar de coco oferecem um caminho mais seguro. Até então, seu cérebro poderá estar pagando por cada gole sem calorias.


























